segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Análise: Castlevania - Lords of Shadow.




Velhas tradições e novas ideias... Lords of Shadow!


Desde 1999 a Konami tenta emplacar um Castlevania no universo 3D. De lá pra cá houveram tentativas bem fracassadas, como os títulos lançados para o Nintendo 64. Lament f Innocence e Curse of Dakness, as últimas tentativas de sucesso nesse terreno, até agradaram, mas ainda ficam muito abaixo do que se espera de um Castlevania de qualidade.

Com a chegada de novos e mais poderosos consoles, a Konami deu para o lendário Hideo Kojima a missão de fazer um game de qualidade. Mas em vez de abraçar a produção, o novo jogo apenas teve acessória da Kojima Productions, sendo a Mercury Steam a responsável por Castlevania Lords of Shadow, que chega ao mercado dez anos depois após o desastrado Castlevania 64.

Para trazer os Belmonts de volta a toda sua gloria, o novo estúdio chuta o pau da barraca e decide trazer um novo reboot para a franquia. Mas o que aconteceria se tivéssemos um jogo que mudasse tudo aquilo que os fãs conhecem de uma série tão emblemática no mercado? Seria possível fazer um bom Castlevania sem toda a mitologia já tão difundida da série? Ou seria apenas um jogo genérico de ação que destrói de vez uma das séries mais divertida dos games? A análise a seguir foi feita com base na versão lançada para X-Box 360.

Enredo.



O mundo vive um período de trevas. Vampiros, lobisomens e demônios espalham o medo e o caos em vilarejos, matando inocentes e cobrindo a luz com as trevas. Diante de tempos negros um membro da Irmandade da Luz, chamado Gabriel Belmont, parte numa jornada para derrotar os três Senhores das Sombras, os responsáveis por trazer as trevas ao mundo. 

Gabriel decide seguir nessa busca após a morte de sua esposa, Marie. Ela lhe conta que, devido a interferência dos Senhores das Sombras, as almas dos mortos ficam presos ao mundo dos vivos. No entanto, há uma antiga profecia que Gabriel ignora. Buscando libertar o mundo do domínio dos Senhores das Sombras, Gabriel Belmont parte numa viagem para vencê-los e reclamar para si os poderes deles.

Aprovado.

Mudar é bom... E necessário!

Lords of Shadow fez aquilo que a franquia precisava há muito tempo, reinventou o enredo e as origens dos Belmont. Sem querer dar spoillers, mas Lords of Shadow é um modo mais original de contar a origem do clã Belmont e até de seu principal vilão, o Conde Drácula. Gostar ou não dessa reinvenção depende exclusivamente do seu gosto pessoal. Eu, pessoalmente, sou fã incondicional de Castlevania. Confesso que a principio essa mudança me preocupou. Seria realmente bom ver um Castlevania sem Drácula, sem castelo infestado de zumbis e cabeças de medusa? Sem um embate furioso com a Morte? E sim... Não só é possível, como essas mudanças trouxeram mecânicas realmente boas a série.



Lords of Shadow é um jogo de Hack in Slash bem parecido com os jogos lançados para Playstation 2. Mas ao contrário dos jogos passados, o esquema de exploração por áreas foi deixado de lado, dando lugar a um jogo mais linear, dividido por capítulos. Cada capítulo traz diversas fases, lembrando muito a divisão feita em jogos como Resident Evil 4. Lords of Shadow mescla muito bem os combates com exploração de vastos mapas e resolução de enigmas. 

Mesmo com fases mais lineares ainda há muito a ser explorado. Há relíquias que dão novas habilidades a Gabriel, podendo acessar novos locas e encontrar itens que melhoram os atributos do protagonista. De fato, muitos desses locais tornam-se acessíveis somente após adquirir certas habilidades, sendo necessário voltar em muitas fases no decorrer do game. 

É muito bom notar que não há mais aquelas fases repletas de salas e locais repetidos que cansavam em Lament of Innocence. A exploração é realmente empolgante, envolvendo saltos por plataformas e escalar vãos e montanhas. Há puzzles bem criativos e bacanas, coisas como girar alavancas, montar painéis, recuperar chaves e etc, todos com diferentes graus de dificuldade. Esses puzzles têm dificuldade moderada, e ainda é possível conseguir a solução deles com o próprio jogo.

Combates dinâmicos e divertidos.

O chicote dos Belmonts é uma das pouquíssimas tradições que foram mantidas em Lords of Shadow. De inicio ele funciona apenas como arma, mas há melhorias para o chicote, podendo ser usado para escalar paredes, se prender em ganchos, manipular mecanismos que abrem portas e etc.

Mas é nos combates que Lords of Shadow realmente faz bonito. Assim como em outros títulos de Hack in Slash, há um botão para desferir golpes fracos e fortes, combinando-os para criar combos. Como é de se esperar, vencer inimigos confere pontos de experiência que são utilizados na compra de novos ataques.



O chicote fica ainda mais poderoso quando combinado aos medalhões de magia. Ao todo são dois; medalhão da luz e medalhão da sombra. Quando ativados em combate, cada medalhão define atributos diferentes à arma. O medalhão da luz permite que Gabriel recupere energia cada vez que causa danos em um oponente. Quanto maior o dano, mais vida o herói restaura. Já o medalhão da sombra deixa o chicote envolto de fogo, deixando seus ataques mais poderosos. Há combos específicos para cada poder que o chicote assumir, aumentando a gama de golpes disponíveis.

Ao contrário de muitos jogos que disponibilizam uma grande gama de golpes inúteis para adquirir, Lords of Shadow faz com que o jogador procure usar o máximo deles. Logo de inicio fica claro que apertar botões de forma invariável não vai ser a melhor opção. Os inimigos são bem poderosos e repletos de truques. É preciso ter boa pericia dos melhores combos disponíveis e ser rápido nas evasivas. A precisão é tanta, que até o uso do medalhão das sombras requer sabedoria, ou seja, não adianta deixar seus ataques mais poderosos e sair chicoteando oponentes e achar que sairá vitorioso.



O uso dos medalhões requer uma barra de maná para cada um. Para recuperar esse maná é necessário encontrar fontes de poder mágico, ou através da barra de concentração. Essa barra só é carregada quando Gabriel não toma danos durante um combate. Caso seja bem sucedido, uma grande quantidade de maná é liberada pelos inimigos. O uso correto do contra ataque também carrega instantaneamente a barra de concentração.

Chefes épicos.

Além de contar com uma boa variedade de inimigos poderosos, Lords of Shadow conta com chefes igualmente poderosos. Seguindo o exemplo dos demais oponentes de fase, os chefes exigem estudo e paciência do jogador. Esses chefões tendem a ser desafiadores e divertidos e se dividem em três grupos: Os chefes comuns, que são em geral Orcs, harpias e lobisomens. Há também os Lordes das Sombras, que são as principais criaturas que Gabriel deve caçar e destruir.



Mas a grande cereja do bolo são os Titãs. Trata-se de monstros gigantescos e extremamente poderosos. Quem é fã de Shadow of the Colossus vai adorar enfrentar os Titãs. É necessário observar seus movimentos e escalar as criaturas, chegando aos seus pontos fracos e destruindo-os um a um. Não chega a ter o desafio do clássico do Playstation 2, mas enfrentar os Titãs em Lords of Shadow é igualmente prazeroso e épico. E para garantir que não seja algo cansativo, o embate contra os Titãs não são tão freqüentes.

Reprovado.

Câmeras ainda amaldiçoam a franquia.

Jogabilidade travada e ângulos de câmera equivocados marcaram negativamente os jogos para o Nintendo 64. Ainda que a jogabilidade tenha melhorado muito nas edições do PS2, ambos conservavam alguns pequenos problemas na visão. Infelizmente, esse problema ainda é uma pedra no sapato de Lords of Shadow.



Seguindo o exemplo de God of War, LoS utiliza ângulos fixos de visão, a fim de deixar o jogador apenas concentrado na ação. O problema é que a visão costuma mudar de maneira bruta, sempre desorientando o jogador na tela seguinte. Em alguns chefes, Titãs principalmente, a visão costuma abranger todo o inimigo, deixando Gabriel bem pequeno na tela e causando muita dor de cabeça.



Essa visão fixa atrapalha até mesmo em momentos de plataforma. O problema sempre é causado pelas tentativas de mostrar o máximo possível da cena, de modo que alguns pontos importantes do cenário perdem destaque. Várias vezes eu acabei morrendo por tentar agarrar pontos errados em algumas plataformas, pois é comum o ângulo de visão nos enganar.

Parte técnica.

Não é exagero afirmar que Castlevania – Lords of Shadow é um dos games mais bonitos de sua geração. Os cenários abertos ganham destaque, com uma riqueza de detalhes impressionante. Logo na primeira fase somos brindados com uma floresta escura castigada pela chuva. É possível notar a água molhar as roupas de Gabriel e até o pelo dos lobisomens. A vegetação, as cachoeiras, o céu ensolarado ou enevoado, tudo ficou muito realista e belo. Os cenários fechados não ficam atrás. O jogo de iluminação é impressionante, com efeitos de sombra bem aplicados. É claro que detalhes de tão perfeita definição cobram seu preço. Há leves quedas na taxa de quadro em alguns momentos, mas nada que atrapalha na jogatina.



A construção dos personagens é igualmente excelente. Os modelos são repletos de detalhes; pano, couro, pelagem de criaturas. Tudo está em uma definição incrível. As expressões faciais impressionam e deixam todo o trabalho mais realista. Por fim, os efeitos de tela enchem os olhos, nem tanto pelo exagero de explosões, mas sim pela sutileza de névoas, chuva, fogo e luzes dinâmicas.

A parte sonora talvez seja um quesito um tanto polêmico, principalmente para os fãs mais antigos de Castlevania. A série sempre teve trilhas marcantes, que mesclavam entre obras sinfônicas belas a temas de rock pesados. Já Lords of Shadow cai pro lado mais genérico do hack in slash atual, com canções que geralmente surgem durante os combates, tendo temas mais calmos durante a exploração. As músicas são muito boas, seguindo a linha de temas orquestrados que seriam comuns em filmes épicos como O Senhor dos Anéis, mas sem aquela personalidade carismática de um Symphony of the Night, por exemplo. Para fãs mais antigos, um Castlevania que carece de personalidade sonora é muito triste.

Já as dublagens merecem destaque. As vozes são muito bem interpretadas, destaque para o Gabriel Belmont e Zobak, com vozes bem impostas. O texto caprichado e nada direto contribui muito para criar linhas de diálogos bem sutis e gostosas de ouvir. Cada monstro possui sons e rugidos característicos e bem equalizados. Os efeitos sonoros completam o pacote, com efeitos de combate bem equalizados e que completam o peso da ação presente na tela.

Conclusão.

Castlevania – Lords of Shadow chegou ao mercado envolto de muitas dúvidas e reclamações. A Mercury Steam foi muito corajosa em passar uma borracha em quase toda a mitologia de Castlevania, em prol de uma abordagem mais profunda para contar o inicio do conflito entre a família Belmont e as forças escuras. A história original é igualmente boa, mas uma vez que ela soa como uma variação do clássico livro de Bram Stocker, Lords of Shadow deixa a impressão de ser um enredo mais original e cativante.



Falando do game em si, fica uma experiência única. O equilíbrio entre aventura e combate é perfeito e empolgante. O desafio está de acordo com o que os fãs esperam de um Castlevania. Ainda há muito que melhorar na parte de câmeras, que chega a frustrar durante todo o jogo, mas nada que tire o brilho do produto final.

Como fã de Castlevania, concluo que essa mudança toda fez bem, uma vez que a saga dos Belmont se encaminhava para o mesmo limbo em que Mega Man se encontra. Não é só um dos melhores títulos da franquia, como é também o primeiro Castlevania em 3D que realmente consegue cumprir a tarefa de fazer um game decente e empolgante. Pela primeira vez em muitos anos temos um jogo que consegue atrair público novo e ainda agradar os velhos fãs que estão dispostos a dar uma chance ao título. Como dito acima, gostar ou não deste jogo depende do quanto o jogador irá assimilar esta trama tão diferente, e o quanto fará falta as velhas tradições que a Mercury Steam fez questão de esquecer.


Notal Final.


Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.












3 comentários:

  1. Sou um grande fã da saga também tenho esse jogo no meu hd no xbox vou ver se esse ano ainda jogo ele sem falta.O post ficou muito bom Lipe continue com o ótimo trabalho kra.

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    1. Muito obrigado. se tiver mais amigos que curtam blogs do tipo pode passar adiante, sempre bom receber galera nova aqui!

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