sábado, 31 de dezembro de 2016

Análise: Cold Fear.




Terror em alto... E não estamos falando do Titanic.




Se comparado aos demais gêneros, o horror/survival não tem tantas franquias no mercado, ainda que haja muitos títulos que o represente. Um deles é Cold Fear, desenvolvido pela Darkworks e publicado pela Ubisoft. O game coloca o jogador na pele de Tom Hansen, um agente da guarda costeira que é enviado a um navio russo aparentemente abandonado. Claro que essa é só a ponta do iceberg, e muitos mistérios macabros serão revelados.

Podemos dizer que Cold Fear é a tentativa da Ubisoft de entrar no ramo dos jogos de terror. O título bebe de fontes seguras e tenta seu lugar ao sol junto de games consagrados como Resident Evil e Silent Hill. Mas será que o game conseguiu realmente ser uma nova opção do terror? A análise a seguir foi escrita com base nas edições do Playstation 2 e computador.

Aprovado. J

Terror em alto mar.



O diferencial em um jogo de terror e o cenário e ambientação, e nisso Cold Fear está bem servido. Hansen estará em um grande navio naufragado em alto mar, no meio da madrugada e em uma tempestade. O jogo se aproveita bem dessa temática, já que o mar em si será um empecilho constante na missão do protagonista. Nos cenários externos as águas agitadas batem constantemente no herói, por vezes podendo até derrubá-lo da embarcação. Nas áreas internas à agitação das águas balançam o navio, atrapalhando até na movimentação e na hora de estabelecer a mira também. O game consegue misturar o clima de terror psicológico de Silent Hill com os sustos de zumbis, vindos diretamente de Resident Evil. É uma combinação interessante, que se torna ainda mais claustrofóbica quando tais sustos acontecem em salas escuras do navio.

Mas não é só de zumbis que vive Cold Fear. Hansen também terá de enfrentar soldados russos que estarão no navio. O clima de sobrevivência é desolador e extremo, uma vez que desde Resident Evil 1 não se via um game de horror com tamanha escassez de recursos. Não há inventário no game, o que significa que Hansen não pode armazenar munições extras, nem itens de cura. Da feita que você os coleta, automaticamente os usa. Caso sua arma esteja com a munição completa e a saúde cheia, o item fica lá a sua espera. O mapa não é tão grande e nem tão labiríntico, mas é perturbador a ideia de ir e voltar em corredores escuros apenas para se curar. O game trabalha com um constante fator surpresa que agrada. Mesmo que você tenha limpado um corredor, não há como prever que novos zumbis e inimigos não irão surgir para atrapalhar. Há também uma excelente sala que recupera a munição de todas as suas armas e saúde de uma vez.



O sistema de combate é simples e dinâmico, principalmente para quem já jogou Resident Evil 4. Basta um toque no botão de mira para Tom Hansen empunhar sua arma. Os zumbis em geral não apresentam muitos problemas, desde que sejam neutralizados a tempo, pois eles gostam de pular e morder. Já os soldados russos dão um pouco mais de trabalho, pois possuem um arsenal poderoso, além da mania de atacar em grandes grupos.

Reprovado L.

Jogabilidade confusa e problemática.

A primeira safra de jogos de terror trabalhava com câmeras fixas que muda a visão conforme novas partes do mapa surgem. Esse estilo de visão agradava uns e desagradava a outros, que reclamavam da constante desorientação que esse sistema causava nos jogadores. Com o passar dos anos, novos títulos evoluíram esse tipo de câmera, chegando até Resident Evil 4 e sua câmera posicionada por trás do personagem. Procurando agradar a gregos e troianos, Cold Fear trabalha com essas duas perspectivas, mas de maneira muito atrapalhada.



Para os jogadores da velha escola, é possível jogar com a visão estilo “Resident Evil antigo”, ou seja, a tela ganha novos ângulos de visão conforme se avança. Mas o sistema de combate é idêntico ou de RE4, ou seja, mirar em modo terceira pessoa, desse modo, usar a visão padrão torna os combates impraticáveis. Por outro lado, o ponto de câmera por trás do personagem limita consideravelmente a movimentação. Não é possível correr dessa forma, e examinar o ambiente é bem complicado. A maneira mais amigável de jogar é saber os melhores momentos de usar a visão panorâmica e a visão em terceira pessoa.

Além da visão confusa, Cold Fear ainda comete erros de programação sérios. O comando para mudar para a visão em terceira pessoa simplesmente falha a toda hora. Você aperta o botão e a visão muda e volta para a visão padrão sozinho, sem nenhuma explicação aparente. A principio pensei que fosse algum problema causando um duplo clique no botão direito do meu mouse, mas esse exato percalço acontece também no Playstation 2. Inconvenientemente, tais erros costumam acontecer bastante em momentos críticos, como quando um grande grupo de inimigos atacam de todos os lados.

Repetitivo.

Games de horror/survival seguem um padrão que os tornam quase impossíveis de serem repetitivos. Explorar ambientes, investigar textos e pistas, colecionar itens e resolver puzzles... Além é claro, de lidar com criaturas bizarras em locais desolados. Cold Fear simplesmente ignora tudo isso, tornando um projeto de grande potencial em um genérico game de ação com doses de tensão e medo.



Há muitos documentos e anotações espalhados pelos cenários, mas eles apenas ajudam a contar a história do game, mas sem muito aprofundamento. A coleta de itens se resume em buscar cartões de segurança que liberam portas de acordo com o seu nível de autorização. Não há nem mesmo puzzles para solucionar. O único motivo para investigar o ambiente é encontrar itens de cura ou munição. Fora isso, Cold Fear se resume em ir de ponto A até ponto B, seguindo por corredores lineares e derrubando o maior número de inimigos possíveis que surgem neste trajeto. Não há mapas para se guiar pelo caminho, mas como dito acima, tudo é muito linear e as idas e vindas nos mesmos corredores são tão freqüentes que o jogador decora os caminhos em pouco tempo.

Os combates até garantem a diversão, mas logo eles deixam de serem desafiadores. Após descobrir as salas de recarga, o jogador consegue acumular bom estoque de munição. Como não há um limite de uso desse recurso, Cold Fear deixa de ser tão difícil quanto aparenta ser em seus primeiros momentos. Tudo que fica é uma rotina enfadonha de andar de lá pra cá, até ter todas as autorizações necessárias para desbloquear todas as portas do mapa. Nem mesmo os chefes proporcionam um desafio muito alto.

História sem sentido.

Não há dúvidas de que Resident Evil 4 foi o jogo de cabeceira da Darkworks. A história também gira em torno de zumbis gerados por um acidente biológico. Premissa clichê, mas ainda sim, funcional. Pena que a história não faz sentido e serve apenas para dar uma boa desculpa para colocar o protagonista em um navio abandonado.

O motivo da criação do vírus? Os objetivos? Quem são os soldados que querem matar seu protagonista? Nada disso é remotamente explicado. Os personagens secundários da trama parecem existir apenas para ter alguém com quem Hansen possa interagir. Em um dado momento da história, o antagonista injeta o vírus em Hansen. Mas o game segue até o seu desfecho, sem que haja nenhuma conseqüência em absolutamente nada!

Parte técnica.

Os gráficos de Cold Fear não chegam a surpreender. O game conta com ótimos efeitos de tela. É simplesmente admirável a animação do mar batendo no navio, ou da tempestade anuviando a visão de Hansen. Os cenários são muitos escuros, com aquela pegada de navio industrial. A escuridão constante ajuda a criar o clima hostil da aventura, e também esconde algumas texturas mal definidas que há aqui e ali, principalmente no modelo dos personagens.



Como manda a cartilha, o game não economiza na violência. Há sangue por todo lugar, manchando chãos, paredes e escadas. Inimigos mutilados e cabeças estouradas serão visões rotineiras, e há de se concordar, os efeitos não decepcionam, principalmente se você for fã de games sangrentos.

A parte sonora se destaca pela música, muito marcante e divertida. Ela da àquele clima de aventura marítima e sempre surge enquanto estamos em ambientes externos. No interior do navio predomina o silêncio, com o incomodo som da água castigando a embarcação e zumbis rugindo por todo lado e muitos tiroteios. A dublagem é tão dispensável quanto a trama. Diálogos fracos, com interpretações nada memoráveis.   

Conclusão.

Cold Fear passa longe de ser um game excelente, mas não chega ao nível do péssimo. Em geral, é uma opção para os amantes do terror e suspensa. Sim, o game possui um clima muito bom e consegue manter o interesse do jogador em suas quase oito horas de campanha. A experiência chega a ser interessante e divertida, desde que, é claro, você esteja ciente de que não será o jogo mais incrível do gênero que jogará. Também é preciso se entender com a jogabilidade confusa e problemática para tirar proveito de Cold Fear.



Infelizmente os deslizes se sobressaem. A repetição degrada bastante a diversão, e ainda que os combates funcionem bem, fica realmente maçante andar de um lado para o outro sem um aprofundamento maior na aventura. O roteiro sem inspiração, regado a clichês cansativos, mostram uma preguiça completa da produtora em criar um diferencial para seu projeto. Talvez houvesse planos de transformar Cold Fear em uma franquia, mas a avaliação do público e critica não motivou a Ubisoft a investir numa continuação. Mesmo não sendo um game descartável, Cold Fear passou longe de representar o gênero com a mesma qualidade de suas maiores fontes de inspiração.


Notal Final.     



Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.





4 comentários:

  1. E ai Lipe beleza eu tenho esse jogo a muito tempo zerei ele em 2015 e assino em baixo o que você disse a respeito dele eu até curto alguns como essa tema pois não sou muito de jogar.Não sei se você viu cheguei a comentar um post ai no blog do Spllaterhouse.
    Mas é isso ai kra espero ver mais post seu para que eu possa ler e comentar a respeito um bom início de ano para você ai continue com o ótimo trabalho falow.

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    1. Valeu, parceiro!
      O blog segue firme aew sim! o/

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Jogaço, finalizei no PS2 e achei demais!

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