segunda-feira, 30 de março de 2015

Análise: Resident Evil 4




LEOONNN.... HEEELP !!!!




O caminho trilhado por Resident Evil 4 até o seu lançamento foi bastante longo. Originalmente o jogo foi desenvolvido entre 1998/2000 para o Playstation 2, mas o resultado final se distanciava muito dos episódios passados. Futuramente o projeto teve seu enredo modificado, dando origem a Devil May Cry. Enquanto isso a Capcom anunciava que os títulos principais da série RE passariam a ser de exclusividade da Nintendo, cabendo ao console da Sony os spin offs (games paralelos a série principal). Sendo assim, Resident Evil 4 chegou ao Game Cube em janeiro de 2005. Com a boa receptividade dos episódios Dead Aim e Outbreak (ambos para o PS2), somados ao desempenho morno do Game Cube no mercado, a Capcom voltou a atrás em sua decisão e anunciou que RE4 teria uma versão para o console da Sony, que foi lançada no final daquele mesmo ano.  



Resident Evil 4 foi uma tremenda pancada na cabeça dos fãs. O game reinventa tudo aquilo que foi visto nos títulos anteriores, melhorando muitos aspectos e apontando um futuro bem polêmico à franquia da Capcom. O resultado é um game bem diferente daquilo de qualquer outro Resident Evil. Você pode até não gostar do resultado, mas não adianta negar: Resident Evil 4 trás novo ar à série, mesmo que ainda divida opiniões até os dias atuais.

Enredo.

Após os eventos em Raccoon City, o governo americano não teve outra escolha se não lançar um míssil na cidade e destruir tudo, liquidando zumbis e até possíveis sobreviventes. Após o incidente da mansão que levou Raccoon City a destruição, o governo suspende o contrato com a Umbrella e inicia uma investigação. Com a empresa parada e os processos judiciais em andamento, a Umbrella decreta falência e fecha para sempre.



Leon S. Kennedy (Um dos protagonistas de Resident Evil 2) se tornou agente do serviço secreto dos EUA. O incidente em Reccoon transformou Leon em um cara mais durão nesses três anos entre RE2 e 4. Sua primeira missão é localizar e resgatar a filha do presidente, Ashlay Graham, que foi sequestrada. Leon é levado para um isolado povoado na Espanha, onde se acredita que seja o cativeiro da garota. Chegando ao local, o agente descobre que a população não é nada amigável, o que é pior, eles parecem estar controlados por um tipo de grupo religioso, que possivelmente está ligado ao mesmo grupo que sequestrou Ashley. Logo Leon descobre que o sequestro da garota é só o inicio de uma trama que pode chegar a níveis globais.

Menos terror, mais ação!

Resident Evil 4 é o divisor de águas da franquia. O horror/survival foi totalmente reformulado, dando uma ênfase bem maior à ação. A câmera de tomadas dramáticas, o maior problema dos jogos anteriores, sai de cena, dando lugar a uma visão mais confortável, posicionada no ombro do personagem. Graças a isso a movimentação do protagonista está muito mais dinâmica e solta. Leon pode mirar nos zumbis e acertá-los em diversos pontos de seus corpos, dando mais chances de derrubá-los com mais facilidade.



O ponto alto de Resident Evil 4 está na mecânica variada que o jogo apresenta. Os quebra-cabeças continuam presentes no decorrer dos cenários, mas com dificuldade moderada e menos enlouquecedores. A exploração está muito mais intuitiva e motivos não faltam para fuçar cada canto possível do cenário. Basicamente o jogo intercala entre momentos de ação intensa e aventura; com buscas de tesouros, compra e venda de itens e a possibilidade de fazer upgrade em armas. Os combates remodelados deixam o game muito mais frenético, com direito a batalhas extraordinárias contra chefes gigantescos.

Parte Técnica.

Resident Evil 4 está entre os jogos mais bonitos de sua geração, principalmente a versão para Game Cube. A versão do Playstation 2 não está feia, mas a arquitetura do console não permitiu que os gráficos da edição original fossem reproduzidos com a mesma minúcia de detalhes. As texturas são bem aplicadas, mas a falta de suporte a uma resolução maior acaba estragando alguns detalhes. Efeitos de tela também foram mais contidos, como a luz da lanterna que ilumina perfeitamente cada gota de chuva e o fogo. 

Os personagens e inimigos estão bem modelados e apresentam consistência, tanto nos designs quanto nas animações, com movimentação bem fluída e leve. Os chefes merecem destaques, alguns são gigantes e grotescos. Mais uma vez a versão de PS2 sai perdendo, por ter perdido alguns detalhes mais mínimos. 



Não pense que a versão para Playstation 2 tem um acabamento final ruim, muito ao contrário! É importante lembrar que o Game Cube era tecnicamente superior ao PS2. Mesmo assim, a Capcom soube trabalhar com competência em cima das limitações do console da Sony, e o resultado é muito bom, mesmo que o jogo seja visivelmente mal detalhado em alguns momentos. 

Em se tratando de ambientação Resident Evil 4 impressiona. Leon irá percorrer diversas localidades da ilha. Serão castelos, vilarejos, bosques, cavernas... Enfim, o game não deixa nada a desejar nesse quesito. As cenas não interativas possuem qualidade espantosa, com uma excelente direção de arte. Na parte sonora não há muito para comentar. As músicas são simples e até um pouco fracas perto da trilha sonora de Resident Evil 1, por exemplo, mas passam a sensação de tensão característica da franquia. 

As dublagens não chegam a ser um trabalho de ponta. O dublador de Leon por vezes parece fazer um trabalho superficial, salvo alguns momentos de inspiração, como em suas conversas furiosas com Ramon Salazar. Outros dubladores têm melhores resultados, como Ada e Saddler. Os inimigos costumam gritar palavras em espanhol quando avistam o herói, resultando em momentos um tanto engraçados em falas como “Voy a fazer picadinho”.

Aprovado J

Jogo dinâmico e Variado.

Resident Evil 4 recicla totalmente a jogabilidade da série, trazendo um horror/survival mais focado na ação e na aventura. Não seria equivoco confundir este game com outros títulos de ação em terceira pessoa. Leon pode se mover com liberdade pelos cenários, enfrentando inimigos, resolvendo enigmas e procurando por tesouros. Apesar de linear, RE4 trás um vasto ambiente que requer uma boa exploração.



Os combates deixam de ser chatos e arrastados graças ao sistema de mira. Devido ao novo vírus mostrado no enredo, os zumbis ganharam upgrades. Agora eles podem correr, se esquivar e alguns até usam machados, inchadas, dinamites e serra elétrica. Mirar na cabeça continua sendo a opção mais efetiva para acabar de vez com um zumbi, mas quando as criaturas usam armas o ideal é atirar em suas mãos para torná-los menos ameaçadores. A munição não é tão escassa quanto costumava ser nas edições passadas, mas ainda é necessário ter cautela na hora de abrir fogo contra os inimigos. Agora Leon pode usar a faca junto com a arma de fogo, bastando segurar o botão L2. Quando um zumbi ficar tonto pode-se pressionar o botão de ação para desferir um golpe corpo a corpo, às vezes até atingindo mais de um inimigo de uma vez.

Os combates são pontuados pela parte de exploração. Leon deve procurar por chaves e itens que lhe permitem avançar pelo povoado ou resolver algum puzzle. Falando nos puzzles, agora estes estão muito mais simples, de modo que dificilmente o jogador trave ao tentar resolvê-lo. De modo geral, é muito raro o jogador se sentir empacado em alguma etapa da campanha principal, que dura em média umas 15 horas. Ainda assim, Resident Evil 4 possui momentos de desafio minimo, principalmente perto do fim, onde a munição fica mais contada e os oponentes surgem em maior número. Em geral, jogadores com experiência em games de ação poderão vencer essas etapas sem grande dificuldade.



Após três horas de jogo, Leon finalmente encontrará Ashley. A partir daí o jogador terá de sobreviver contra os zumbis e manter a filha do “chefão” a salvo. Felizmente, escoltar Ashley deixa o jogo mais divertido, pois cria situações bem diversificadas e desafiadoras. Você terá comandos que farão Leon dar ordens à garota, fazendo-a se esconder quando houver muitos inimigos no caminho, por exemplo, ou segui-lo quando a barra estiver limpa. Há momentos onde Ashley ajudará a abrir portas. Há uma parte onde passamos a controlá-la, ainda que brevemente. Há situações cômicas protagonizadas pela dupla. Tente deixar Leon embaixo de Ashley enquanto ela desce uma escada, por exemplo!

Sistema de evolução.

Pela primeira vez em um jogo da franquia existe um sistema de melhorias. Leon coleta dinheiro quando mata inimigos ou quebrando caixas e barris que encontra pelo caminho. Há um mapa que o auxilia na busca por alguns tesouros valiosos que ficam escondidos em cada canto do povoado. Esses tesouros serão usados ao achar o comerciante do povoado, que sempre possui itens interessantes para o protagonista. É possível adquirir armas novas, mapas, e em alguns casos, sprays de primeiros socorros. Os tesouros podem ser vendidos, sendo que tesouros mais raros farão o vendedor pagar mais caro pela peça. Além de comprar armas novas, Leon também poderá melhorar as que já estiverem em sua maleta. Cada arma possui três tipos de melhorias: Poder de fogo, capacidade de munição e velocidade para efetuar a recarga. 

        

O inventário de itens também sofre modificações. Leon tem em mãos uma maleta para guardar suas armas, munições e itens de cura. Cada item possui um tamanho diferente, ocupando espaços diferentes no inventário. Em determinados momentos do game é possível substituir as maletas para modelos maiores, que permitem armazenar mais itens. Devido a isso, não existem mais os baús perto dos pontos de save! Sim, aqueles que costumávamos usar para guardar algum objeto que não precisaria usar no momento. Aliás, itens como chaves ou peças para resolver puzzles ficam armazenados em outro inventário, e neste não há limite de espaço para guardá-los; o que não chega a ser grande coisa, já que Leon coleta poucos objetos assim no game.

Batalhas contra chefes.



Enfrentar chefes ficou muito mais divertido nesta nova roupagem. Os monstros possuem padrões de ataques particulares e formas horrendas. O primeiro chefe do jogo, por exemplo, é um enorme peixe que leva o barco de Leon para o meio de um lago. O jogador deve atirar arpões na criatura e evitar que ela o derruba na água e o coma. Em todos os combates haverá os clássicos mini games de contexto, ou seja, aperte o botão solicitado no momento certo para atingir o chefe. 

Reprovado L

Cadê o horror?

Resident Evil 4 evoluiu muito, tanto em jogabilidade como em diversão. Mas em se tratando de essência o jogo deixa muito a desejar. Nos primeiros momentos do game realmente há aquela agonia e tensão de ser perseguido pelos inimigos. Mas conforme avançamos, nota-se que a ação desenfreada deixa o terror em segundo plano. O fator que mais prejudica o clima tenso do jogo é a falta de desafio. 


Quando comparamos Resident Evil 4 com a trilogia do PS1 percebemos o quanto a Capcom fez um jogo muito fácil. A munição já não é tão escassa, os itens de cura são mais freqüentes e você pode até mesmo salvar seu progresso quantas vezes quiser! Quem nunca ficou tenso por não ter mais Inki Ribbons no inventário ao jogar Resident Evil 2, por exemplo? A perda de essência não para por ai. Os zumbis lentos e burros dos jogos passados causam mais arrepios que os inteligentes infectados do jogo atual. Uma das criticas mais pesadas sofridas por Resident Evil 4 foi o desvirtuamento do fator horror, que no passado fez a alegria do publico. Mesmo em momentos desafiadores, Resident Evil 4 se mostra um jogo um tanto fácil.

Conclusão.

Resident Evil 4 é inegavelmente perfeito. Um jogo divertido, com muita ação, aventura e segredos a descobrir. Trata-se de um clássico instantâneo e marcante. Uma prova viva de que uma série de sucesso pode se recriar e se manter firme no mercado. Infelizmente, toda essa evolução acabou custando um tanto “caro” para a Capcom. Se por um lado o game foi um estrondoso sucesso comercial, por outro fica o desagrado daquele publico que cresceu com o frio na espinha de ser encurralado por uma horda de zumbis e vendo seu personagem sendo comido vivo por monstros sanguinários.



Não se engane, Resident Evil 4 é um excelente game, 100% recomendado. Mas talvez não seja a opção mais indicada para quem procura um horror/survival de verdade. Talvez se encaixe mais em um shooter em terceira pessoa com uns toques sutis de terror e violência. Mas não deixe de conferir uma das experiências mais divertidas que o Playstation 2 e o Game Cube tem a oferecer!


Notal Final.




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.





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