terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Joguei e não recomendo: Enter The Matrix.



Um bom motivo pra não seguir o coelho branco.



A saga Matrix já foi encerrada faz mais de dez anos, e mesmo assim continua sendo uma das trilogias mais memoráveis do cinema; seja por suas cenas de luta de tirar o fôlego, ou pelos efeitos especiais inovadores ou até mesmo pela sua rica história, que conseguiu juntar tecnologia, ficção cientifica, filosofia e até religião, sem parecer muito bagunçado ou forçado. O que parecia ser só mais um filme de ação acabou se tornando um dos maiores marcos do cinema e da cultura pop.

Não é a toa que Matrix chegou ao inicio dos anos 2000 como uma das produções mais rentáveis de Hollywood. O sucesso era tanto que Matrix Reload (segundo filme da série) não seria o suficiente para saciar a vontade dos fãs, nem responder a tantas dúvidas a cerca da trama. Sabendo que o segundo filme seria ainda mais complexo, os irmãos Wachowski tiveram uma ideia de mestre e decidiram lançar outros produtos que ajudariam a complementar o universo visto nos filmes. Dessa ideia nasceu o DVD Animatrix, composto por nove episódios animados com duração média de 2 a 5 minutos, que desvendam coisas importantes como o inicio da guerra, a queda da raça humana perante as máquinas e, mais importante ainda, os eventos que dão inicio a Matrix Reloder.

É claro que dentro dessa compilação os vídeo games não ficariam para trás. Junto com Animatrix e com Matrix Reloed foi produzido Enter The Matrix, que também viria com o propósito de clarear a mente dos fãs em meio aos acontecimentos dos três filmes. Evidentemente, com uma penca de cenas de ações legais, os fãs queriam muito ter a oportunidade de jogar um game protagonizado por Neo, Mopheus e Trinity. Infelizmente, Enter The Matrix não cumpre bem nenhuma das promessas. Mas também, esperar o que de um game publicado pela Atari, que anos antes conseguiu afundar graças ao temido E.T? A produção ficou a cargo da Shiny Enternaiment.

Quem assistiu Animatrix deve lembrar-se de “Final Flight of the Osiris”. Pois é, a tripulação dessa nave foi quem descobriu do novo ataque das máquinas a Zion, o ataque que é ponto de partida dos eventos de Matrix Reload. A Logos, nave comandada pela Capitã Niobe, é a primeira a descobrir da destruição de Osiris. Junto com o seu parceiro, Ghots, Niobe deve resgatar a mensagem deixada pela Osiris e entregar aos lideres de Zion. Basicamente esse é o enredo do jogo, que se desenvolve antes e paralelamente aos eventos de Matrix Reload, e para o bem ou para o mal, os jogadores são privados da tão esperada sensação de controlar o escolhido.

A ideia de fazer um enredo não centralizado nos eventos do filme também não é ruim. O grande problema é que o roteiro é muito insípido para um produto baseado em Matrix. A história tem um ponto de partida legal, mas logo se torna desinteressante. A sensação que fica é que novas histórias paralelas são inseridas apenas para gerar novas fases e prolongar o game até cansar o jogador. Aliás... Não demora muito para Enter The Matrix se tornar entediante.

No inicio do game o jogador pode escolher jogar com Niobe ou Ghost, e há algumas diferenças neles. Niobe é ótima para pilotar, o que significa que as fases com carros ficam mais precisas com ela. Já Ghost é um exímio atirador, levando vantagem em combates com armas de fogo. Além desses atributos, o roteiro do game é diferente para cada um deles, o que gera fases novas para cada partida. Isso já é um bom motivo para jogar Enter The Matrix no mínimo duas vezes.

O game em si é um misto de tiro e combates em terceira pessoa. Tanto Niobe quanto Ghost podem desferir muitas porradas em policiais que surgem ao longo do gaminho, com os golpes bem bacanas, por sinal. O ponto mais alto da ação deveria ser a barra de focus, que permite ao jogador recriar movimentos clássicos como correr em paredes, desviar de balas, executar golpes fulminantes e saltos que mais parecem vôos. Para criar tal comando a Shiny Enternaiment toma emprestado de Max Payne o famoso Bullet Time que tanto aprendemos a amar.

Mas, o que deveria ser o momento de maior prazer do jogo acaba sendo o seu maior fracasso. Quando ativamos o Bullet Time em Max Payne os controles ficam mais precisos, nos dando a possibilidade de mirar melhor e de dar um salto mais seguro. Em Enter the Matrix acontece algo diferente. Com o efeito de Focus ativado o personagem se torna praticamente invencível. Em vez de melhorar a precisão do tiro, o tiro se torna automaticamente certeiro. Desviar de balas deixa o mocinho mais veloz que um agente. Qualquer salto vai será efetivo e qualquer chute ou soco será fatal. O que era pra ser divertido acaba deixando o game maçante e muito mais fácil do que deveria.

Os combates corpo a corpo também têm os seus problemas. Toda vez que vamos trocar uns sopapos com alguém a câmera muda pra perspectiva lateral, causando uma mínima mudança nos controles. Os combates em si não exigem muito do jogador. Basta realizar uma combinação aleatória de golpes que tudo estará resolvido. 

Enter The Matrix parecia ser um game belo demais em sua fase beta. Mas o produto final já chegou ao mercado com visual bem datado. Os cenários não impressionam e são muito simplistas. Falta vida nos ambientes e as texturas são bastante modestas. Muito estranho para um jogo que custou 30 milhões de dólares e ficou quase três anos em produção. 

A versão de Playstation 2 ainda sofre com vários engasgos na tela quando há muitos elementos na cena. Os personagens possuem a mesma pobreza nas modelagens, mas as animações caprichadas nos movimentos perdoam esse problema. Se os cenários internos são pobres, nem preciso dizer que os externos são ainda piores. A parte sonora ainda se salva, já que os compositores do filme colaboraram com a trilha do game. Mas as músicas logo se tornam repetitivas e cansam. Os efeitos sonoros causam mais impacto do que os efeitos de tela em si, e conseguem empolgar. A dublagem está mediana. Pelo menos podemos ouvir o elenco dublando seus personagens.

Enter The Matrix foi um projeto ambicioso, assim como tudo que envolver o nome Matrix. Mas para um jogo tão caro e com tanto tempo de produção, o resultado é muito abaixo do que se esperava. A trama original é perfeita para os mais fanáticos, mas não espere revelações pitorescas ao longo do game. Algo interessante é o sistema Hacking, que permite ao jogador ativar códigos, roupas e armas novas e até segredos da produção do game. No mais, não espere sentir em Enter The Matrix a mesma empolgação que acontece com o filme.    


























Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.




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