terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Análise: Constantine.




John Constantine... Asshole!




John Constantine é um médium e exorcista que utiliza seus poderes para resolver casos sobrenaturais, ou então, em seu próprio beneficio. Sua série em quadrinhos é chamada Hellblazer. Mesmo sendo uma publicação um tanto desconhecida do grande público, Hellblazer ganhou uma adaptação nos cinemas nomeada de Constantine. O filme teve uma aceitação relativamente boa do público, embora os fãs dos quadrinhos não tenham aprovado muito a adaptação. É aquela velha história; obra pouco fiel aos quadrinhos e uma enxurrada de reclamações.

Como é de praxe, Constantine ganhou um game com edições para Playstation 2, X-Box e PC. Mas ao contrário do que se poderia esperar, Constantine trás bons momentos de diversão, ainda que não saia daquele feijão com arroz típico de uma produção baseada em um filme. Talvez o segredo da diversão de Constantine seja o de não ser tão ambicioso. John Constantine possui o dom de manter contato com o mundo dos mortos. Ele une seu dom com um conhecimento vasto em demonologia, ocultismo e magia negra, e às vezes, usa suas habilidades para ajudar as pessoas, como também a si próprio.



O game usa o roteiro do filme, mas contando a história de uma maneira bem particular e confusa. Eventos estranhos forçam John a investigar algo que estaria relacionado com o nascimento do filho do Diabo e o inicio do apocalipse. Basicamente o enredo é esse, mas seu desenvolvimento é confuso e muito fraco.

Aprovado J.

Ação que distrai e diverte.

Logo de cara Constantine tenta passar a melhor impressão possível. O vídeo de introdução reproduz o exorcismo que o ocultista executa logo no inicio do filme, com extrema fidelidade. Já a qualidade gráfica fica muito abaixo do esperado para as plataformas da época. A seguir, o jogador se aventura pela primeira vez no inferno, também reproduzido a partir do longa metragem.



Inicialmente o personagem utiliza pistolas e ataques corporais para vencer os muitos demônios que surgem de todos os lados. Durante a campanha ainda há outras armas para coletar; uma escopeta que atira balas com água benta, besta com flechas de fogo, metralhadora de pregos e etc. Durante suas mínimas seis horas de aventura Constantine mantém uma rotina de ação, exploração de fases e resolução de enigmas, se aprofundando pouco em cada um desses elementos. Em determinadas partes é necessário ir ao inferno para chegar a novos locais da fase. Chega a ser divertido, mas são momentos pouco frequentes.

Os combates são simples, porem, competentes. As criaturas iniciais não farão nada além de avançar em grupo e atacar. Mais a frente haverá uma boa variedade de inimigos para enfrentar e maneiras diferentes de derrotá-los, principalmente os monstros que possuem fraquezas mais camufladas. Em muitos casos é necessário fazer uso de uma arma especifica. Os monstros em si não são muito inteligentes, mas quase sempre atacam em conjunto, sendo uma grande preocupação para o HP do mocinho. John ainda pode utilizar armas que destroem grandes grupos de inimigos, como uma bomba de luz solar e granadas de água.



Mais para frente John coleta o primeiro de muitos livros de magia presentes no game. Apertando o botão corresponde o jogador deve executar uma sequência de botões para desferir um feitiço. Cada magia possui um efeito diferente; desferir uma tempestade de raios, exorcizar demônios do corpo de pessoas, deixar John invencível por alguns momentos. Cada magia gasta uma barra de maná que é recuperada conforme os inimigos são derrotados.

Reprovado L.

Controles ruins.



Como acontece com a maioria desses games, Constantine tem uma jogabilidade bem ruim, bem como uma física estranha. A mira é muito ruim de calibrar, sempre ficando muito sensível ou muito pesada. Curiosamente, a versão que mais sofre com esse problema é a do PC, onde o mouse fica totalmente desconfortável. Desse modo, é difícil mirar com precisão em algum inimigo e nenhuma das edições do game conta com mira travada.  

A física é outro problema bem chato. John fica preço em qualquer ponto estranho do mapa. Isso fica muito irritante em ambientes mais fechados com uma penca de demônios para dar cabo. Se não fosse por esses problemas, sem dúvida, Constantine conseguiria ser um pouco mais interessante.

Parte técnica.

Na parte gráfica Constantine não impressiona muito. Os cenários têm bons projetos e ideias bacanas, mas são muito limpinhas e quadradinhas. As fases mais impressionantes são aquelas que acontecem no inferno, com efeitos de fogo e ruídos de tela bem bacana, que criam um ambiente frio e medonho. Fora isso, os cenários geralmente serão becos escuros, prédios e etc. Pelo menos o jogo de cores frias e iluminação estão bem colocados, criando um clima fantasmagórico ao longo das partidas.



Os personagens também apresentam modelos bem simples e com poucos destaques. Parte dos monstros presentes no jogo é aqueles já vistos no filme, mas com detalhes bem diminuídos e genéricos. Mesmo criaturas maiores não impressionam muito. Nem mesmo John Constantine apresenta um bom modelo, embora seu rosto seja bem próximo ao do ator Keanu Reaves. A animação dos movimentos é muito dura e robótica, sem vida e sem carisma. Para completar, as cenas não interativas são bem datadas, embora tenham valor por suas animações bem fluidas.

A parte sonora também é bem genérica. As músicas surgem em momentos de combate. São temas com batidas meio eletrônicas com notas mais graves, como se quisesse passar a sensação de um jogo de terror. Os efeitos são um pouco melhores, pelo menos passam com satisfação o impacto dos combates. Nos momentos do inferno é possível ouvir gritos de almas torturadas e pelo menos não soam tão simples. Os sons dos monstros são bem básicos e não impressionam.
  
Conclusão.

Assim como muitos jogos do mesmo gênero, Constantine é feito às pressas, com gráficos sem muito capricho e tempo de jogo descartável. A diferença deste para outros títulos desse nível é um bom momento de diversão. A ação funciona bem, e o desafio do jogo não é tão pequeno quanto se poderia esperar. Há alguns quebra cabeças que testam o raciocínio do jogador e os combates não cansam. A mira problemática atrapalha do inicio ao fim, mas com um pouco de paciência é possível se acostumar com isso.



Por fim, há extras bem desinteressantes. Coletando algumas cartas de tarô conteúdos extras são destravados no menu principal. Serão artes conceituais do jogo, vídeos do processo de produção e capas das HQ´s. Mas, como eu sempre digo, esse tipo de extra pouco agrada, e com certeza, Constantine é um título feito para quem assistiu o filme e não para os fãs dos quadrinhos.


Notal Final.



Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.










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