segunda-feira, 23 de junho de 2014

Análise: 007 From Russia With Love.




Sean Connery revive 007 em vídeo game.





Desde que comprou os direitos sobre a franquia 007, antes pertencentes à Rareware, a Eletronic Arts vem tentando repetir o sucesso de GoldenEye. Essas tentativas geraram games bons, medianos e desastrosos. Mas o fato é que o pobre James Bond nunca mais brilhou intensamente como fez no velho Nintendo 64. 

007 From Russia With Love fica no meio termo. Não é um jogo ruim, mas também não é nada memorável. Baseado no segundo filme da franquia (No Brasil chamado de “Moscou contra 007”), From Russia With Love não é uma produção simplista. O game conta com boa direção artística e até a participação de Sean Connery dublando o seu clássico personagem. Mesmo assim, From Russia With Love acaba caindo na mesmice de muitos outros games do gênero.

Contra Moscou.

From Russia With Love segue o roteiro do filme. O agente 007 é enviado pela MI-6 para adquirir uma máquina descodificadora chamada Lektor, que está de posse de uma agente Russa. Já em Moscou, Bond descobre que tudo não passa de um plano da Spectre, que deseja vingar a morte de Dr. No. A vingança só seria completa com a obtenção da Lektor e a morte de James Bond.



From Russia With Love traz algumas diferenças em relação aos títulos anteriores do espião. A primeira novidade é a perspectiva da ação, que acontece em terceira pessoa. O jogador controla o agente Bond em diversos ambientes, trocando tiros com russos, coletando armas e objetos, utilizando seus brinquedinhos de espião e etc. 

Quem procura por belos tiroteios e cenas de ação sem grandes dificuldades, FRWL é uma boa pedida. Os combates empolgam com facilidade, graças a uma jogabilidade amigável, que prestigia os jogadores casuais. O game conta com um sistema de mira automática, bastando apertar L1 para travar o cursor no inimigo e mandar bala, sem ter a opção de mira manual. Algo bem bacana é a possibilidade de se esconder atrás de paredes e caixas, podendo criar boas estratégias de progressão. Na falta de munição, o jogador pode se aproximar furtivamente dos adversários e aplicar uma sequência de golpes para derrubá-los.



Infelizmente, tanta possibilidade de ação esbarra na falta de desafio do game. Quem já jogou GoldenEye ou Nightfire notará que From Russia With Love está muito mais fácil. Os inimigos não farão nada além de ir pra cima de Bond e descarregar tiros no espião. Claro que ataques assim costuma levar a barra de vida do protagonista a zero em instantes, mas depois que o jogador aprender a se esconder nos cantos e caixotes, não terá mais que se preocupar com isso.  

Parte técnica.

From Russia With Love não traz um trabalho de ponta nos gráficos, mas se destaque pelo excelente trabalho de arte. A Visceral Games se esforçou para recriar com fidelidade e elegância a Moscou dos anos 60. Essa fineza fica evidente em todas as locações do game, como o consulado russo, as bases militares e as ruas de Moscou. O trabalho de fotografia é excelente e fiel ao filme. Os gráficos contam com efeitos interessantes. Há explosões, fumaças, vento e etc. No Playstation 2 há freqüentes slow downs, principalmente quando os tiroteios se intensificam. Não chega a atrapalhar na ação, mas tira um pouco do brilho dos gráficos, que como já dito acima, não são dos mais expressivos, mas possuem seu valor.



Já os modelos dos personagens e animações chamam muita atenção. As cenas não interativas foram construídas com o próprio motor gráfico do game, mas não ficaram nada ruins. O rosto do ator Sean Connery foi utilizado no game, com todas as minucias de expressões faciais. Além disso, podemos notar como os movimentos do agente 007 estão fieis ao do ator escocês no filme, desde o seu modo de andar a sua postura segurando uma pistola. Outros modelos estão bem bacanas e com movimentos bem naturais, se destacando tanto quanto o protagonista.

A parte sonora é boa, com sons bem equalizados e de excelente qualidade. Cada explosão e tiro podem ser escutados com clareza, e fica ainda melhor se o jogador tiver uma televisão com suporte a Dolby Pro-Logic. Uma boa sintonia de áudio e vídeo produz cenas mais glamorosas para quem joga, e é isso o que acontece com From Russia With Love. A trilha sonora apela para as canções do filme, algo evidente e bem pensado. A dublagem se destaca, principalmente a do ator Sean Connery, que provou não estar velho demais para dar “vida” ao seu clássico personagem.

Aprovado J

Ação casual.

From Russia With Love pode ser considerado um jogo direcionado para os casuais. Não há muita complicação aqui. O jogador deverá enfrentar diversas missões, algumas tiradas de acontecimentos memoráveis do longa, como o tiroteio no acampamento ou a invasão do consulado russo. Para o bem do jogo, alguns acontecimentos do filme foram modificados, algo que deve incomodar apenas os fãs da franquia.



As missões são extremamente lineares, dando algum espaço para a exploração dos ambientes. Há itens que geram pontos de pesquisa utilizados melhorar o equipamento de Bond. Há submissões no decorrer das fases, mas nada muito complicado de encontrar. Em geral, From Russia With Love é bastante linear, com missões que se desenvolvem, basicamente, em tiroteios. Há momentos divertidos de perseguições em carros, onde Bond deve fugir, perseguir ou até destruir veículos inimigos. A dirigibilidade é bem amigável e essas fases são realmente empolgantes. Ainda nas fases de tiro, o espião pode utilizar acessórios como um relógio com raio laser que destrói painéis de seguranças e trancas e um aeromodelo que pode explodir também em trancas e painéis. Mas parece que o uso desse equipamento não foi bem aproveitado ao longo do jogo, sendo necessários em momentos quase que raros.

Em cada fase existe o “Bond Moment”, que são objetivos exclusivos de cada fase. São coisas como destruir um helicóptero, encontrar determinado local na fase ou matar um oponente de maneira furtiva. Quando um Bond Moment é executado, o logotipo da franquia surge no canto da tela. Cumprir os objetivos secundários não é obrigatório, mas acumulam mais pontos ao fim de cada missão. Esses pontos ajudam a desbloquear missões extras, que mesmo não sendo obrigatórias para terminar o jogo, adicionam conteúdo extra.



Devido a revolução causada por GoldenEye, o público sempre espera algo relevante no multiplayer de um 007. Em From Russia With Love esse quesito passa batido. As modalidades são as mesmas de sempre, tendo partidas apenas com telas dividas. A câmera em terceira pessoa tira um pouco da emoção de jogar contra um amigo. Mas o que realmente mata as partidas é a mira automática. Uma vez que um oponente é localizado, basta travar o cursor e atirar furiosamente, de modo que o outro não tem a mínima chance de escapar com vida ou se esconder.

O conteúdo adicional fica um pouco melhor com missões extras, que apresentam um grau de dificuldade mais elevado que a campanha original. Os pontos de pesquisa também podem ser usados para desbloquear conteúdo multimídia no perfil de jogador. Há trailers do game, do filme e entrevistas com a equipe de produção e até mesmo com Sean Connery. Mas esses conteúdos despertarão apenas o interesse dos mais fanáticos pelo universo de 007.

Reprovado L

Faltou criatividade.

O que é bom para o público casual acaba sendo péssimo para os fãs da franquia. Quem já se aventurou com os títulos passados de James Bond vai lembrar-se de missões memoráveis e de objetivos mais consistentes. Não custa recordar que o maior trunfo de GoldenEye foi trazer uma experiência de tiro em primeira pessoa que foi muito além de atirar e completar fases. Felizmente, esse conceito se estendeu aos demais títulos que a Eletronic Arts desenvolveu para James Bond.



Infelizmente, From Russia With Love não acompanha essa evolução e se mantém no feijão com arroz. Há poucas fases com missões diferenciadas, como armar bombas em locais específicos ou resgatar reféns. Em outras frases você pode tomar o controle de um foguete a jato ou a mira de uma metralhadora automática, mas serão momentos raros. Fora isso, 80% do jogo consiste em empunhar uma arma, matar tudo que se move e chegar ao fim da missão vivo. Com uma mira automática que poupa o jogador de ser cuidadoso nos tiroteios e inimigos que se comportam como baratas tontas, From Russia With Love se apresenta como o jogo ideal para quem quer se divertir sem se frustrar. Mas se você procura games de tiro mais bem elaborados, certamente este aqui não será uma opção recomendável.

Enredo desinteressante.    

Nightfire e Everthing our Nothing apostaram em tramas novas, escritas exclusivas para os vídeo games. Já From Russia With Love é baseado em um dos filmes mais expressivos da filmografia de 007. Ta certo que os filmes do James Bond não apresentam roteiros super revolucionários, e as tramas são bem previsíveis. Mas “Moscou contra 007” foi um grande filme, e não desenvolver o seu enredo com precisão é um pecado imperdoável.



Aliás, deixo aqui minha opinião sincera: Nenhum jogo da franquia 007 se preocupa com desenvolvimento de história. Quem nunca viu “007 Contra GoldenEye”, por exemplo, vai jogar o game inteiro sem entender o que realmente acontece na história. Mas estamos falando de um jogo lançado em 1997, onde somente jogos de RPG se preocupavam com esse setor. Naquela época, o enredo em um jogo de tiro era tão importante quanto o enredo de um filme pornô.

Mas aqui estamos tratando de um jogo lançado em 2005, com uma produção luxuosa, baseada em um filme importante e numa época em que história e ação devem andar de mãos dadas. Nesse quesito, From Russia With Love falhou miseravelmente. Não há nem mesmo a menor preocupação de explicar ao jogador quem é o agente 007 e sua real missão. É como se a Visceral Games partisse do principio de que, se você vai jogar este jogo, tem a obrigação de ter visto o filme!

Conclusão.



From Russia With Love se baseia em uma das produções mais importantes da franquia 007. A produção é visivelmente pomposa, com gráficos bem arrumados, direção artística fabulosa e até a presença de Mr. Connery, que não fez feio em dublar o personagem que lhe daria a fama que tem como ator. 

O grande problema é que a Visceral Games não confiou público alvo da série e acabou colocando boas ideias a perder. É um jogo ruim? De forma alguma! É possível se divertir bastante nas oito horas de duração da campanha. Mas, olhando para outros títulos da franquia, From Russia With Love é muito genérico, dando uma impressão de jogo feito às pressas, dada a falta de criatividade do game. Mesmo os mais aficionados pelo filme não irão gostar de muita coisa. Ainda não foi dessa vez que a Eletronic Arts conseguiu superar a obra prima da Rareware.  




Notal Final.




Escrito por: Lipe Vasconcelos.










3 comentários:

  1. Otima analise, olha pra chegar aos pes de GoldenEye sera ainda uma tarefa dificil XD.

    Otimo blog, conheci ele hoje vc ainda vai continuar escrevendo as analises ?

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    Respostas
    1. Opa...
      Obrigado, Raitor. Nos ajude a espalhar.

      E sim, irei continuar com o blog. As atualizações ficarão numa média de duas a três por mês, pois trabalho e faço faculdade, e é meio complicado manter um ritmo semanal de atualizações. Mas ainda hoje haverá uma nova, a primeira do mês de julho. Valeu ai, é sempre bom ver que a galera curte esse trabalho!

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  2. Opah eae lipe! Cara faz muito tempo que não leio teu blog mas essa era a análise que eu te pediria se estivesse numa padaria (WTF) ótima aliás. Continue assim ;)

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