quinta-feira, 17 de abril de 2014

Artigo: Sete coisas que não voltam mais.




É o saudosismo invadindo o coração da Save Point BR





O tempo é implacável, tal como a evolução das coisas ao nosso redor. Aquilo que funcionava de um jeito fica para trás, dando espaço a novas rotinas. Com o mundo dos games não foi diferente. Muitas das evoluções do mercado mudaram drasticamente a maneira com que encaramos e jogamos os games mais recentes. Muita coisa da “Golden Years” dos jogos acabou esquecida, enquanto outras existem... mais sem ter uma função de ser.

O artigo de hoje é um tanto saudoso, é verdade. Foi escrito por quem viveu um pouco dessa era mais saudosa dos games. Irei listar a seguir sete coisas que fizeram a alegria de muita gente entre as décadas de 80 e 90, e hoje, se quer ouvimos falar. Costumes, rotinas, gêneros de game, e muitas outras coisas que foram esquecidas no tempo, algumas delas sem a menor possibilidade de voltar. 

Shooters de nave e aviões.



Para abrir nossa lista, apresento um gênero que fez a diversão de muita gente nos velhos consoles da era 8 e 16 bits: Os shooters de naves espaciais e aviões. Games como Gradius e Arrow Flash, por exemplo, não exigiam muito dos jogadores. Bastava movimentar um veiculo aéreo por todas as direções possíveis, desviando de balas e outros inimigos, disparando freneticamente contra tudo que se movia em sua direção.



Apesar de ideias simples, games de shooter com a visão em horizontal eram desafiadores. Vencer um jogo do gênero era, sem dúvida alguma, uma honra ao mérito. Com o passar do tempo o gênero foi evoluindo, com jogos como Starfox. Mas na atual geração é realmente difícil encontrar um título de shooter tradicional. Quando um finalmente aparece, acaba esquecido pela critica especializada. Isso aconteceu com Gradius V, lançado para o Playstation 2 há alguns anos.

Casas de fliperamas e play times.



Antes da existência de Lan Houses, a molecada gastava sua grana do lanche nas casas de fliperamas. Foram nesses "templos de diversão" que games como Street Fighter, Mortal Kombat e The King of Fighters reuniram jogadores por tardes e mais tardes de diversão. No valor simbólico de R$ 1,00 ou R$ 2,00 (o valor dependia do estabelecimento) o jogador adquiria uma pequena ficha de metal que quando introduzida a máquina, automaticamente ganhávamos o direito de jogar o game. Se no meio da campanha o jogador fosse derrotado, o continue só era dado com o uso de uma nova ficha. 

Era realmente legal (ou frustrante) a sensação de seu game depender daquele objeto metálico. E quando alguém se metia a jogar com você então! Imagine como era enervante estar lutando com o Goro, perto de terminar o MK, ai vinha aquele gordinho chato com sua ficha e colocava o game pra dois jogadores, sem nem pedir permissão. E quando a máquina engolia a ficha, então! Se o dono da casa de flipers fosse legal, ele te daria uma ficha extra.

Depois das casas de fliperamas veio o play time.  No play time o jogador poderia escolher qual console jogar  (na minha época era Mega Drive, Super Nintendo, Playstation e Nintendo 64). Também escolhíamos o game que iríamos jogar e alugávamos o tempo de jogo, podendo suar meia hora, uma hora, duas, três e por ai vai... Feito isso, o "tio do play time" programava a televisão pra desligar ao fim do tempo alugado.



Atualmente ainda existem casas de fliperamas e play time. Perto da minha casa mesmo, tem um lugar onde é possível jogar ps3 e x-box 360 à vontade. Mas é muito raro encontrar lugares assim atualmente, e os poucos existentes não têm o mesmo movimento que antes. O motivo? As Lan Houses passaram a ser a sensação. Eu, que só vim ter um Nintendo 64 muito tempo depois de seu lançamento, gastei muito dinheiro nesses locais, só pra jogar games como Legend of Zelda e Starfox 64.

Locadoras.



Acho que já comentei sobre as famosas locadoras, certo? Houve uma época em que era realmente difícil adquirir um game novo. Sim! Você pode até reclamar do preço abusivo do mercado atual, mas não adianta negar, os modos “alternativos” de descolar um jogo novo resolvem 50% do problema. Mas na década de 80 e 90 não tínhamos escolha! Jogos novos, só na loja, e tem mais, só com a permissão e a supervisão de um pai.



Devido a essa “burocracia”, as locadoras sempre levavam a melhor. Era comum que um estabelecimento de locação de filmes tivesse uma área reservada para games. Eu, pelo menos, economizava o dinheiro do lanche durante a semana, para alugar um game de Super Nintendo novo e passar o fim de semana todo destrinchando o mesmo. Fiquei muitos fins de semana seguidos alugando um só jogo, até poder terminá-lo. Com a facilidade em baixar games da internet, ou em encontrar versões alternativas em qualquer ambulante de esquina, as locadoras de games se tornaram mais escassas. Não sei dizer se esses locais realmente deixaram de existir, mas aqui em Manaus, pelo menos, nunca mais vi nenhuma do tipo!

Passwords.



Se você começou a jogar vídeo game aos 10 anos de idade com um Playstation 2 ou 3, com certeza NUNCA ouviu falar em Passwords. Mas os que jogaram vídeo game na década de 90, tinham um caderninho na cabeceira da cama, cheio de senhas anotadas. 

Passwords eram senhas dadas ao fim de cada fase, para que futuramente não fosse preciso passar por todas as fases vencidas de novo. Em resumo, não existia Memory Card naquela época, e usar baterias de memórias extras em cartuchos encarecia o produto no mercado. Na geração 8 bits, Phantasy Star (Master System) e The Legend of Zelda (NES) foram pioneiros em usar saves. Quando o SNES chegou ao mercado, games com duração de tempo superior a 12 horas de jogo já vinham com a bateria extra. Mas no geral, os títulos mais populares só usavam os Passwords. 

Extras gratuitos.

Jogar vídeo nos dias de hoje é tão divertido quanto antes, mas certas tendências atuais são um tanto questionáveis e abusivas. Uma dessas tendências são as DLC´s, conteúdos de expansão que o jogador baixa pela internet, de modo que o jogo pode ganhar novas fases, armas e até mesmo novas campanhas completas.



É realmente divertido expandir a experiência de seu jogo favorito. O grande problema nisso tudo é que algumas produtoras (como Capcom e Activision) passaram a cobrar taxas realmente abusivas sobre suas DLC´s, algumas tão caras quanto o jogo em si. Os conteúdos extras se tornaram algo tão comum na indústria, que conteúdos desbloqueaveis praticamente deixaram de existir. Que não se lembra daqueles extras que faziam o jogador a fechar o mesmo game várias e várias vezes. Lembro que fiquei meses jogando Tekken 5 para desbloquear todos os lutadores do game. Enquanto isso, os fãs de Marvel VS Capcom 3 tiveram que comprar seus lutadores extras via DLC para se divertir. Não é a toa que os games movimentam tanto dinheiro quanto Hollywood.

O doce cheiro de uma revista.



Ta bom! Eu sei que ainda existem revistas dedicadas aos games, e sei que não são poucas. Mas o sabor que uma revista de games tinha na década de 90 era incomparavelmente mais doce do que nos dias atuais. Nos anos 80 e 90 a internet ainda caminhava a passos lentos aqui no Brasil. Desse modo, era mais difícil ter acesso a conteúdos sobre games. A solução era esperar por publicações mensais, como Ação Games, Revista Vídeo Game, Super Game Power e etc.  



Assim como nas revistas atuais (Playstation, Xbox360 e Nintendo World) as revistas de antigamente também publicavam análises, noticias, dicas e detonados dos games que estavam em evidência. A diferença, como já dito acima, é que comprar essas revistas era a única maneira de descobrir como matar aquele chefão difícil do Resident Evil 2, ou aprender a dar o Fatalitie do Sub-zero em Mortal Kombat 3. Atualmente temos recursos excelentes para desvendar esse mistérios, como o Youtube, que nos mostra vídeo detonados muito esclarecedores e detalhados. Mesmo consideradas obsoletas, as velhas revistas dedicadas à games ainda possuem um lugar no coração e na prateleira de muitos old gamers, tipo esse que vos fala.

Games hardcores.



Houve um tempo em que jogar vídeo game era muito mais que uma arte: era uma habilidade que poucos tinham, e os que não tinham, se contentavam com games puf puf da vida. Encerrando essa lista, trago a vocês os games hardcores. Sim, aqueles que alguns se quer sonharam em chegar ao fim. Jogos que fizeram controles voar pela sala e jogadores terem pesadelos a noite, com chefes rindo da sua cara de pato.



Jogos como Super Metroid, Mega Man X 2, Ninja Gaiden, Castlevania, Super Mario Bros 3, Resident Evil, Battletoads, Contra e tantos outros da época, fizeram a diversão de muitos jogadores. Parte dessa diversão estava no nível insano de dificuldade que esses títulos possuíam. Para os garotos que cresceram nos anos 80 e 90, zerar qualquer um dos jogos listados acima era motivo de admiração. Atualmente os games estão menos trabalhosos, com tutoriais, dicas inseridas no próprio game e desafios que qualquer um pode vencer. Salvo algumas franquias, como Devil May Cry e Dark Souls, jogos hardcores também é algo que não volta mais.  



Escrito por: Lipe Vasconcelos.








3 comentários:

  1. Senti uma notalgia vendo esse post... vcs mandam bem!!

    Victor: All Games Brasil!

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  2. Realmente é nostálgico, por mais que a nossa época( anos noventa) foi ruim em termos de economia e de consumo, ainda prefiro muito mais aquele tempo por motivo bem simples. Primeiro que os encontros de amigos em casa de multiplayer e de fliperama são insubstuiveis,fora o fato das casas de gameplays e loucadoras. Belo post cara!!

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  3. Quanta saudade.Tenho 33 anos e vivi essa epoca.Quem ganhou muito dinheiro foram os donos de locadoras.A economia brasileira não ajudava e ninguém tinha videogame,quem dirá cartuchos de jogos que eram uma fortuna.Quanto as revistas elas eram a unica forma de saber sobre os macetes de cada jogo,o resto era especulação.Pra finalizar acho que até hoje,em algum lugar perdido aqui em casa há um caderno velho cheio de códigos e passwords do velho e bom snes(que ainda possuo).

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