sábado, 8 de dezembro de 2012

Análise: The Simpsons - Game










Porco aranha, porco aranha, aí vem o porco aranha!





“Os Simpsons” é o pioneiro entre os desenhos adultos a conquistar o sucesso absoluto nas telinhas. Criado por Matt Groening, a série sobrevive na televisão há exatos 23 anos, com 22 temporadas, firme forte, mesmo com a ameaça da série acabar a qualquer momento, devido aos altos custos com a produção das temporadas.

2007 foi um ano ótimo para a família de Springfield, que estrelou seu longa no cinema e arrecadou 74 milhões de dólares só na primeira semana de estréia. No entanto, a série nunca teve um jogo de vídeo game digno do nome “Simpsons”. Não que os títulos lançados tenham sido ruins, mas parece que pouco captavam o espírito do desenho animado. The Simpsons – Game, lançado pela EA Games, explora o conteúdo da série a exaustão e com criatividade. No entanto, este é um caso parecido com 24 – The Game, isso é, apesar de fiel e original ao desenho, o jogo em si possui mecânicas que não foram aproveitadas ao máximo, além de defeitos técnicos que diluem a diversão de um jogo que poderia ser perfeito! A análise a seguir foi escrita com base na versão para Playstation 2.

Enredo.


O enredo é sem dúvida a maior qualidade do jogo, pois é graças a ele que todas as loucuras do game são justificáveis. Tudo começa quando Bart encontra na rua o manual de um jogo chamado The Simpsons – Game. O manual mostra que ele e sua família ganharam poderes especiais e que a cidade toda está presa numa espécie de vídeo game. Esse jogo inclui ataques de aliens, golfinhos abduzidos, uma competição de quem come mais e muitas outras loucuras. Usando seus poderes os Simpsons vão se meter nas maiores loucuras (pareceu narrador da seção da tarde agora).

O purgatório vídeo game!

The Simpsons – Game é um jogo de ação/aventura com trechos de plataforma, combate e puzzles, podendo ser jogado em modo cooperativo; seja com o computador ou com um amigo no segundo controle. Na primeira fase, a única jogada com somente um personagem (Homer), o jogador aprende os comandos básicos em todas as áreas que a jogabilidade cobre. O game presenteia os jogadores casuais com uma jogabilidade de fácil assimilação.

Cada um dos Simpson possui um poder e habilidade especial que será de utilidade ao longo do game. Homer pode se transformar numa enorme bola de gordura e sair esmagando tudo que estiver a sua frente, além de usar um arroto para atacar os inimigos; Bart se transforma em Bartman, podendo planar, escalar paredes, usar cordas para alcançar novos locais e usar um estilingue como arma; Lisa usa a meditação para mover objetos e o saxofone para fazer inimigos dormirem; Marge tem um megafone que usa para dar ordens às pessoas. Até mesmo a pequena Meg entra na brincadeira, ajudando sua mãe ao acessar lugares pequenos e estreitos.  Ao longo do jogo os poderes de cada um ganha melhorias, mas isso acontece em um determinado momento da campanha, e não através de um sistema de melhorias ou ganhos de experiência.


The Simpsons – Game tem como maior qualidade o humor, isso se dá através de muitos sarros que o jogo tira com a cultura pop, principalmente com os vídeo games. As fases acontecem por toda a Springfield, onde os jogadores poderão ver locais conhecidos, como a casa dos Simpsons, o píer da cidade, uma das fábricas do Sr. Burns e etc. O game se esforça para encaixar cada personagem da série na trama, sejam como parceiros em algum evento ou até mesmo como inimigo. Os capítulos fazem paródia de títulos como Medal of Honor, Shadow of The Colossus, GTA, Everquest, Pac-Man e por ai vai. Em meio às fases o game ainda encontra espaço para fazer citações mínimas, como na Dungeon no capitulo Neverquest, onde você explora o cenário visto totalmente de cima, parodiando o estilo de jogo tradicional dos velhos RPG´S. Como o jogo todo acontece numa tiração de sarro com o mundo dos games, nenhuma das situações ficam desconexas ou absurdas.

Deixando só o produto bruto.


Deixando de lado os conceitos para falar do jogo em si, The Simpsons – Game explora a mecânica simplória dos jogos de ação/plataforma, sem muita inovação. Cada capitulo trás uma história e uma dupla de protagonistas diferentes. As fases apresentam variedade no quesito aventura. Bart, por exemplo, é o personagem ideal para alcançar pontos mais altos nos cenários, graças a sua habilidade de planar e de usar um gancho para escalar; Lisa utiliza a meditação para tirar bloqueios do caminho, montar plataformas ou resolver quebra-cabeças; Homer, na forma de bola de gordura, pode derrubar paredes e colunas, revelando novos caminhos ou mesmo criando pontes de acessos; Marge usa o megafone para recrutar pessoas e dá ordens, que vão desde destruir coisas a construir plataformas e atacar oponentes. Como cada fase acontece com duplas alternadas é possível ter níveis diferentes e criativos, com objetivos bem construídos. No entanto essa formula falha miseravelmente na parte cooperativa, que não chama atenção.


O primeiro maior problema de The Simpsons é o sistema de combate. Não chega a ser totalmente ruim, apenas consiste no apertar desvairado do botão de ataque para acertar o maior número de inimigos possível em seu raio de distancia. O que prejudica a mecânica é a falta de polimento. Os bonecos parecem não ter uma direção certa para atacar e mesmo o jogador fica desnorteado quando tenta direcionar o ataque. Vale a pena citar que este é um jogo onde os oponentes surgem de todos os lados de forma incessante. As habilidades dos Simpsons ajudam na hora dos combates, mas como Bart é o único que possui uma arma de longo alcance ele acaba sendo, de longe (com o perdão do trocadilho), o mais indicado nesses momentos. Mas para frente às habilidades especiais ganham melhorias, como Homer, que pode se transformar num monstro de gelatina verde e lançar bolas gosmentas explosivas nos inimigos.

Parte técnica.

The Simpsons – Game é mais um jogo multiplataformas lançado para a atual geração, mas que recebeu conversões modestas em aparelhos como PSP e Nintendo DS. As versões para Playstation 2, Playstation 3 e X-Box 360 são o mesmo jogo, com a mesma produção caprichada. No entanto a versão para Playstation 2 é tecnicamente inferior, e não falo isso comparando com as versões para a nova geração, falo no sentindo de que o jogo é muito abaixo do que o Playstation 2 já tinha visto em títulos como Okami e Dragon Quest VIII.

O game é todo produzido em Cell Shading, para que o visual seja idêntico ao do desenho animado. Os cenários são bem coloridos e detalhados. Exatamente igual ao visual do desenho. O problema é que o acabamento é muito bruto. Com frequência você vê serrilhados, tanto nos cenários como nos personagens. Alguns ambientes passam uma sensação de vazio ao jogador que, por vezes, é incomoda. Os personagens apresentam boa modelagem, embora o acabamento bruto ajude a tirar esse brilho. Nas cenas não interativas a qualidade é ótima, e aqui sim o Cell Shading foi sabiamente usado. O jogo não usa muitos efeitos especiais, como brilhos e jogo de iluminação, mas tudo isso faz parte da fidelidade ao charme da série animada.


Na parte sonora predomina a qualidade. Os efeitos sonoros são ricos e mantém a característica cômica da série, com sons de pancadas e tudo mais. Em algumas fases o jogo se aproveita de sons de outros games, como o clássico efeito de Mario entrando e saindo de um cano, por exemplo. A trilha sonora é adequada a cada situação. Na primeira fase, onde jogamos dentro do sonho de Homer a música é hilária, dada a situação apresentada (Homer numa ilha onde tudo é feito de chocolate). Na fase Neverquest a trilha é idêntica a de um RPG medieval no momento de uma gloriosa batalha, mas dentro do jogo ela se torna engraçada e divertida. Todas as vozes ficaram a cargo dos dubladores originais da série, o que significa que a qualidade é indiscutível, com diálogos bem bolados.

Aprovado J

Um jogo absurdo e divertido.

O maior problema dos jogos passados da série é que, apesar de boas mecânicas, nenhum deles parecia aproveitar com maestria o universo da série. Já a EA Games se esforçou ao máximo para fazer o jogo mais louco e divertido possível (pena que inverteram a situação de conceito e mecânica). O enredo dá a desculpa perfeita para encaixar as situações aparentemente improváveis que o game propõem. Tudo começa quando Bart compra o jogo Grand Theft Scraty (GTA), um game baseado no desenho Comichão e Cossardinha. Marge vê o jogo e proíbe Bart de jogá-lo. Chateado, Bart encontra na rua o manual do jogo The Simpsons – Game, descobrindo que toda a família tem super poderes. A partir daí as situações mais loucas começam a surgir: Bart e Homer numa competição chamada “Volta ao mundo em 80 mordidas”, Marge recrutando pessoas para destruir o material de divulgação do game GTS, golfinhos dominados por aliens, um robô gigante destruindo a cidade com uma rosquinha, e por ai vai. O nome das fases também faz referência a títulos de filmes e games: Medal of Homer, Bartman Begins, Shadow of The Colossal Dunut, Grand Theft Scraty, Neverquest e Enter the Cheatrix.


Há momentos impagáveis no jogo que mantém o enredo muito interessante. Na fase Enter The Cheatrix, Bart e Lisa visitam o interior de um vídeo game em fase de produção. Nesta fase há hilárias referências a cultura gamer, como Ryu e Ken, que surgem fazendo papel de inimigos de fase, um macaco gigante sequestrando um cientista e etc. Numa sala em particular, vemos como são criados os jogos violentos, mostrando medidores como Blood e More Blood, um medidor injetando no game recursos como Hot Coffe e Mensagem Subliminar. Outra situação particularmente cômica é quando os Simpsons não sabem como deter a invasão alienigena e Bart tem a ideia de ir à internet procurar um detonado do jogo deles. Nos estágios podemos ver personagens bancando vilões, como o dragão de duas cabeças, só que as cabeças são representadas pelas irmãs gêmeas de Marge, os filhos de Flanders questionando se vídeo games medievais condenam as pessoas ao inferno, Bart indagando quem iria querer jogar um jogo controlando Lisa. Enfim, espere para dar muitas risadas ao longo do jogo todo.


Durante as partidas o jogador poderá explorar os cenários, que são lineares. O objetivo é encontrar itens especiais que liberam extras: Os itens de Bart são lancheiras do Krusty, Homer deve coletar as tampas da cerveja Duff, Lisa procura por figurinhas da Malibu Stacy e Marge por descontos de compra. Fora esses itens, há os cartões de clichê. Esses cartões surgem quando uma situação clichê é apresentada ao jogador, algo como saltos duplos, inimigos, larvas de vulcão, enfim... Todo tipo de clichê que você puder imaginar em um vídeo game acontece em The Simpsons – Game.

Reprovado L

Modo cooperativo falho.

O jogo funciona como um modo cooperativo, podendo ser jogado com um amigo ou com o computador mesmo. Modo on line não existe aqui, nem mesmo nos consoles da atual geração. O modo pra dois jogadores praticamente não foi explorada. O jogo usa com criatividade a habilidade de cada Simpson, mas faltou capricho no uso das mesmas em conjunto. Há momentos onde você precisa que um personagem fique em determinado ponto do cenário para que outro Simpson realize uma ação, como na parte em que Homer faz peso no corpo de um esqueleto de dinossauro para Bart alcançar um ponto mais alto no museu. Há portas que só se abrem quando os dois personagens pressionam dois botões ao mesmo tempo, e apenas isso! Entenda que, em 75% do game, o segundo personagem estará apenas detonando a horda de inimigos que surge durante as partidas, e certamente, não é nada atraente ter um amigo para realizar essa tarefa monótona com você.                         

Trechos de plataforma frustrantes.


Sabemos que este tipo de falha não é muito incomum em jogos do gênero, mas com The Simpsons este contratempo atinge os extremos. As câmeras são totalmente desgovernadas e mudam constantemente em situações onde não teria por que! Os momentos de plataforma serão os mais frustrantes do jogo, pois a câmera não passa confiança e o comando de pulo falha o tempo todo. Infelizmente há muitos momentos de saltar de um ponto ao outro, conferindo uma fonte de irritação constante pelo jogo todo.

Conclusão.


Pela primeira vez podemos dizer que Os Simpsons fizeram uma participação primorosa nos games. É verdade que o título sofre com muitos problemas técnicos no Playstation 2, com um Cell Shading muito mal feito, talvez o pior já visto no console da Sony. Já os problemas com a parte de plataforma e a falta de aprofundamento da parte cooperativa é igual para todos os consoles.

Problemas a parte, The Simpsons – Game consegue divertir jogadores de todas as idades, não importando se você for fã ou não do desenho animado. Mas os fãs em geral (grupo onde me incluo) vão passar bons momentos ao lado da família mais maluca da TV. Se este poderia ter sido um jogo bem melhor? Sim, com certeza! Afinal, Os Simpsons merecem isso! Mas mesmo com falhas frustrantes é um jogo digno de ser conferido e aproveitado, principalmente para quem quiser um game mais simples e relaxante, com doses cavalares de excelente bom humor.



Nota Final






Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.










2 comentários:

  1. Pelo menos não fizeram a presepada de um 3D.
    Jogo dos Simpsons pra mim, tem que ser tipo um compilado de minigames, já que tem tanto personagem. No dia que sair um jogo deles que seja fodão, a série animada acaba.

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  2. Ótimo texto, joguei pouco a versão do PS2 porque minha cópia do jogo ficou ruim bem rápido. Eu gosto do The Simpsons Arcade, acho divertido, mas não tem nada que se destaque dos outros. Os Simpsons renderiam um bom jogo de Party, só que ninguém pensa nisso. Abraços.

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