sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Análise: Psychonauts











Será que esse jogo reflete a mente perturbada de Schafer?





Tim Schafer é um nome muito conhecido entre os gamers. O cara assina dois grandes sucessos da LucasArts: Full Throttle e Grim Fandango, que são considerados clássicos do PC. Com sua produtora, a Double Fine, veio uma obra prima moderna, chamada Psychonauts, que sem dúvida, merece toda atenção. Este curioso game bebe da mesma fonte dos games citados acima; uma jogabilidade bem amarrada em conjunto com a criatividade bastante peculiar de Schafer.

Psychonauts usa a tecnologia da atualidade com a clássica ideia dos games antigos. Uma obra encantadora e repleta de diversão. Dizer que um jogo tão bom não traz defeitos é exagero, e com este não seria diferente, principalmente  na parte técnica, que apresenta alguns deslizes que comprometem um pouco a experiência. Mas se realmente colocarmos tudo na balança, veremos que nenhum dos defeitos do título realmente tira seu brilho natural.

Enredo.

Razputin (ou apenas Raz) sempre foi diferente das demais crianças de sua escola, graças aos seus anormais poderes. Cansado de se sentir diferente, Raz foge de casa e vai para o centro de treinamento dos Psychonauts, uma espécie de agencia do governo para pessoas que nascem com habilidades paranormais.

Na realidade, este centro de treinamento é um acampamento para crianças que nasceram com habilidades psíquicas. Neste lugar, Raz vai aprender a lidar com seus poderes, ao mesmo tempo em que se envolve no mistério do roubo dos cérebros de algumas crianças do acampamento.

Aventura surreal.


A mecânica de Psychonauts é bem similar a de jogos como Super Mario 64 e Banjo Kazooie, mas com aquele toque atípico que marca as produções de Schafer. Raz pode explorar o acampamento com liberdade, interagindo com crianças, professores, buscando itens e missões. É preciso fazer um pequeno tour pelo cenário, já que ele é bem extenso, e a principio, faz novatos se perderem. Há muita coisa pra ver, dentro e fora das missões, já que o game possui muitos itens a buscar, e é gratificante ir atrás de tudo.

Cada missão acontece dentro da mente dos personagens do jogo, ou seja, espere por cenários surreais e malucos, com fases bem projetadas. O trabalho de arte psicodélico se destaca em muitos dos cenários malucos do jogo. O game oferece grande variedade de ação, desde as mais simples; como saltar e manipular objetos, até as mais curiosas; como levitar e incendiar coisas: é que Raz pode aprender habilidades paranormais que são muito úteis por toda sua aventura. Cada habilidade confere uma insígnia para o protagonista, e cada poder ganha melhorias conforme você aumenta seu Rank psíquico. O Rank vale o mesmo que os níveis de experiência para um RPG, mas aqui o seu Rank aumenta com a coleta de
determinados itens em cada missão.







Na parte de combate não há muito para falar. Raz pode atacar seus inimigos com uma mão gigante e com raios vermelhos que dispara de seu par de óculos. Mas o game não parece focar muito nesse setor, já que enfrentar inimigos no decorrer de algumas das fases não é freqüente, em alguns momentos, isso não chega a fazer falta; já em outros parece soar um tanto desnecessário: Os combates não tendem a ser a parte mais empolgante do jogo! Há embates contra chefes também, mas estes não chegam a ser muito complicados. Psychonauts se foca mesmo é na resolução de enigmas e nos trechos de plataforma, que são muito agradáveis, graças aos comandos de respostas simples e rápidas.

Parte técnica.

A parte técnica de Psychonauts não chega a ser ruim, mas pode ser considerada ultrapassada e fraca se compararmos com outras produções que surgiram no mesmo ano. Os personagens possuem designs pouco convencionais, com formas diversas em seus desenhos, lembrando bastante os personagens de animações antigas da Nickelodeon. O resultado cai bem pro game, pois combina com seu conceito surreal. Os cenários são de grande qualidade e inspiradores, com fases bem boladas, tanto nos desenhos como nos projetos. Cada cenário reflete o interior da mente de um personagem, resultando em ambientes fantásticos e diversos, como peças de teatros, cidades habitadas por peixes e ruas que se entornam pelo caminho. O jogo de cores combinada com as formas absurdas, criando um ambiente psicodélico surpreendente. Infelizmente o jogo não parece usar o poder do X-Box e do Playstation 2 com sabedoria, a versão para computador fica exatamente igual a dos consoles. O jogo também sofre de muitos slow downs quando há muitos elementos em movimento na tela.



No entanto a parte sonora é simplesmente perfeita. Os efeitos sonoros não são ricos, mas passam o clima surreal do game. As dublagens são ótimas e bem interpretadas, todas as vozes possuem timbres cômicos, como em desenhos animados, resultando em um trabalho de ponta. A trilha sonora é o ponto alto, com canções que conseguem divertir e grudar na mente dos jogadores. Fãs de música clássica vão identificar fragmentos de músicas conhecidas aqui e ali por todo game; como quando você ganha uma nova insígnia, a introdução da música lembra demais o tema de Rocky – O Lutador. Os temas usam com maestria arranjos orquestrados e tecnos, resultando num produto que soa diferente de muitos arranjos vistos nos demais games do gênero.

Aprovado.

Mecânica balanceada.






Psychonauts trás uma mecânica de jogo muito variada e divertida, podendo ser associada, algumas vezes, a um mundo livre. Para avançar na trama, Raz deve desvendar o mistério das mentes de cada personagem presente. Há uma preocupação divertida para injetar personalidade em cada ser vivo do jogo, personalidade essa que se reflete em cada fase do explorada. Usando seus poderes psíquicos, Raz vai precisar resolver diversos problemas e enigmas. Há situações diversas, seja em uma corrida usando o poder da levitação, ou com Raz bancando o Godzilla e destruindo tudo que vê pela frente.

É muito comum ter de retornar a uma fase futuramente, pois nem sempre Raz vai ter a habilidade necessária no momento em que jogamos a fase pela primeira vez. A dificuldade de Psychonauts é progressiva. A cada nova fase os enigmas se tornam mais complicados, fazendo o jogador quebrar a cabeça um bom tempo. Na parte plataforma o game fica bem complicado, com movimentos que exigem pericia e precisão, algo que é realmente raro de se ver nos jogos de hoje. No total Psychonauts pode parecer um jogo curto, mas isso varia de jogador a jogador. No meu caso, finalizei o jogo com 20 horas de partida, isso sem contar a busca pelos itens extras, que podem adicionar pelo menos mais cinco horas de jogo. Mas o game é tão divertido que deixa a impressão de ter menos tempo na campanha.

Muitos itens para coletar.

Os caçadores de itens podem ficar felizes! Psychonauts é recheado de itens para buscar. Vale à pena caçá-los, pois esses itens permitem Raz subir no Rank. Por todo game há PSI Cards, cartões que ficam espalhados nos cenários. Unindo esses cartões com o Psi Core (esferas que são comparadas no alojamento do acampamento) Raz pode subir vários níveis seguidos. Em cada mundo o jogador deve coletar uma determinada quantidade de fragmentos de pensamento (a quantidade varia de mundo pra mundo) que também ajudam a aumentar o Rank, bem como as teias de pensamento. Conforme você conquista novos níveis do Rank, os poderes de Raz sofrem Upgrades. Alguns poderes só podem ser adquiridos após conquistar um determinado Rank, e por ai vai.


Dentro de cada mundo há dois tipos diferentes de malas. As vaults, que geralmente fogem de Raz; caso sejam golpeadas, se abrem e revelam segredos da mente que está sendo visitada. Esses segredos podem ajudar na resolução de algum enigma em alguns casos. As Emotional Bags são malas que ficam chorando, ao todo serão cinco dessas malas por mundo. Raz deve encontrar o tag correspondente a cada Emotional Bag para deixá-la feliz (literalmente, espere só até ver a cena das malas comemorando!) para ganhar novos níveis de Rank, além de desbloquear novos segredos no menu principal e alguns extras da produção. O número de itens escondidos é absurdo, com alguns que são encontrados facilmente e outros nem tanto. Se você é um dos jogadores que acha a campanha principal curta, com certeza vai querer buscar todos os segredos do game, simplesmente para prolongar a vida útil.

Reprovado.

Problemas técnicos e Loadings.

Apesar de ter um excelente trabalho de arte, os gráficos são muito abaixo do que o Playstation 2 e o X-Box podem fazer. Alguns cenários possuem um design tão psicodélico que às vezes isso passa batido, mas em outros a simplicidade é muito presente e acaba deixando a desejar. Como se não bastasse o jogo ainda sofre com slown dows quando há muitos elementos em movimento na tela, e o problema piora na fase Warterloo World quando há muitos objetos, chegando até a atrapalhar na jogabilidade. Psychonauts não conta com efeitos de tela de ponta, por isso fica realmente difícil entender o que faz a taxa de quadro ficar tão precárias em alguns momentos.



Outro problema incomodo está nos Loadings. Eles não são muito freqüentes, surgem geralmente na mudança de áreas do acampamento, ou quando carregamos um mundo (dentro dos mundos acontecem quando acessamos uma nova etapa). No entanto o jogo leva exaustivos 20 segundos para carregar os dados, o que acaba quebrando um pouco o ritmo do jogo. Felizmente esses carregamentos não acontecem com tanta frequência.

Conclusão.

Se não fosse pelos problemas técnicos (que são bem amadores, diga-se de passagem) Psychonauts seria um jogo perfeito. Mas mesmo os chatos defeitos são insuficientes para tornar este um game dispensável. Trata-se de uma aventura incrível e surreal, que vai agradar desde o publico mais jovem até os marmanjos. Psychonauts é de fácil assimilação e viciante, com um tempo de duração respeitável e um replay valido para reviver toda a diversão que o game produz. Os caçadores de item também verão neste game um ótimo motivo pra passar horas em frente ao PS2. Psychonauts é um jogo digno de toda atenção que conquistou!



Atualmente fala-se do desenvolvimento de um Psychonauts 2 , mas apesar da boa recepção da critica e do publico, Psychonauts acabou rendendo prejuízos pra Majesco, que até hoje não se recuperou e está quase falida.O provável desenvolvimento de Psychonauts 2 estava em negociação de Tim Schafer junto ao criador de Minecraft, embora não seja nada realmente oficial. Até lá, fica na lembrança um dos games de ação e aventura mais divertidos da geração!



Nota Final




                 
Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.












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